António’s story

Durante muito tempo o meu sogro tinha comportamentos um pouco estranhos, assim como uma maneira diferente de se movimentar, muitas pessoas perguntavam se era nervoso ou se seria alcoólico, ou também se seria pelo motivo de a mulher o ter abandonado.

No ano de 1977, e por intermédio de uma amiga e colega da minha mulher, foi-nos indicado um médico que, depois de examinar o meu sogro, perguntou à minha mulher se tinha filhos. Como a resposta foi negativa, disse-lhe que seria melhor não engravidar, pois o pai sofria de uma doença hereditária.

A saúde do meu sogro foi-se lentamente degradando, foi enviado para um laboratório em França uma amostra de sangue para ser analisada, o resultado foi positivo e as filhas foram informadas de que o pai sofria da doença de Huntington. A filha mais velha foi a sua cuidadora até ao ano do seu falecimento, em 2004.

Em 1994, a terceira filha começou com pequenos movimentos coreiformes e um aparente distanciamento da vida real, sendo-lhe também diagnosticada a doença de Huntington. Veio a falecer no ano de 2009.

A filha mais velha e cuidadora do meu sogro começou com os sintomas em 1998, encontra-se actualmente numa fase intermédia da doença. A quarta filha, que durante o ano de 2004 teve o início dos sintomas, encontra-se igualmente no mesmo estado. Desde muito nova foi uma criança difícil, sendo seguida em psiquiatria durante muitos anos e, mais tarde, também começou a ser seguida em neurologia.

Este é o quadro da minha família, e por este motivo hoje sou, e com grande orgulho, membro da direcção da Associação Portuguesa dos Doentes de Huntington.